Alta da Selic e sangria da poupança fazem crédito a construção despencar 63%, ameaçando lançamentos. CBIC mantém projeção de crescimento de 2,3% para PIB da construção em 2025. Locação comercial sobe 4,34% no primeiro semestre.
- Crédito para construção despenca 63 por cento e ameaça lançamentos futuros
- CBIC mantém projeção de crescimento de 2,3 por cento para PIB da construção em 2025
- Locação comercial sobe 4,34 por cento no primeiro semestre
- Fundos imobiliários enfrentam volatilidade das tarifas, mas mantêm expectativa de alta
Crédito para construção despenca 63 por cento e ameaça lançamentos futuros
O financiamento para construção imobiliária despencou 62,9% nos primeiros cinco meses de 2025 comparado ao mesmo período de 2024, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O número de unidades financiadas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) caiu de 65,1 mil para 24,1 mil. O montante financiado encolheu 54,1%, de R$ 15,5 bilhões para R$ 7,1 bilhões, segundo a CBIC.
Os juros elevados, a inflação persistente e as incertezas fiscais formam um conjunto de situações que acabam impactando a performance da construção. A taxa Selic está em 15%, enquanto a poupança perdeu R$ 38,4 bilhões no primeiro semestre, reduzindo a capacidade dos bancos de emprestar.
“Esse aumento está desde 2020. O custo da construção aumentou mais de 54,41%, enquanto o da inflação no mesmo período foi de 37,5%”, disse a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos. Os bancos preferem financiar imóveis prontos em vez da construção devido ao custo elevado do crédito.
Apesar da queda no crédito, o setor ultrapassou três milhões de empregos formais pela primeira vez desde 2014 e abriu 149,2 mil vagas entre janeiro e maio. “Estamos vivenciando o reflexo do que foi lançado nos últimos dois anos [2023 e 2024]. Se o atual ambiente de juros elevados persistir, há risco de desaceleração mais acentuada a partir de 2026”, afirma Vasconcelos.
A projeção de novos empreendimentos “encerraram mês de julho no segundo menor patamar do ano, o que gera preocupação, especialmente no médio e longo prazo”, aponta.
Fontes: O Globo e Folha de S.Paulo
CBIC mantém projeção de crescimento de 2,3 por cento para PIB da construção em 2025
Apesar do juro alto e das incertezas da economia brasileira, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) reiterou a projeção de crescimento de 2,3% para o Produto Interno Bruto (PIB) do setor em 2025. A projeção leva em conta o nível de atividade, que permanece elevado devido ao grande volume de projetos em andamento.
A estimativa representa desaceleração em relação aos 4,3% registrados em 2024, mas é considerada positiva diante das turbulências atuais. “Estamos mantendo a projeção de crescimento de 2,3% para o setor. Esse resultado será muito positivo se obtido”, declarou a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos.
O nível de atividade da construção civil em junho foi o maior do primeiro semestre de 2025. “Poderia estar melhor, mas ainda está em um patamar elevado”, afirmou Vasconcelos. Esse patamar foi garantido, segundo a especialista, pelos empreendimentos residenciais lançados nos últimos dois anos e projetos de infraestrutura, especialmente saneamento.
Por outro lado, a confiança do empresário da construção vem caindo nos últimos meses. “O empresário está enxergando o cenário atual com mais cautela”, afirmou Vasconcelos. A principal preocupação é o juro alto e a escassez de crédito.
O presidente da CBIC, Renato Correia, chamou atenção para a queda do financiamento à construção, com os bancos priorizando crédito para pessoa física. “O construtor precisa de capital a um custo mais acessível. Esse é um ponto de atenção”.
Fonte: Diário do Comércio
Locação comercial sobe 4,34 por cento no primeiro semestre
O valor médio de venda de salas e conjuntos comerciais de até 200 metros quadrados foi de R$ 8.558/m² em junho, enquanto a locação ficou em R$ 47,58/m², segundo o Índice FipeZap. No primeiro semestre, o aluguel comercial subiu 4,34%.
São Paulo apresentou os valores mais altos: R$ 56,78/m² para locação e R$ 10.320/m² para venda. Florianópolis (SC) ficou em segundo lugar, com R$ 47,65/m² para locação e R$ 8.765/m² para venda, seguida por Curitiba (PR), com R$ 40,06/m² e R$ 8.637/m², respectivamente. O levantamento abrange 10 cidades brasileiras.
No primeiro semestre, os preços de venda de imóveis comerciais avançaram 1,68%. Comparativamente, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 2,99%, e o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) acumulou deflação de 0,94%.
As maiores altas nos preços estão em Brasília (2,47%), Salvador (0,59%) e Niterói (0,34%). Para locação, os avanços foram liderados por Brasília (3,17%), Niterói (2,69%) e Campinas (1,45%).
O ranking de variação no primeiro semestre, no caso dos preços de locação comercial, ficou assim: Brasília (+3,17%); Niterói (+2,69%); Campinas (+1,45%); Florianópolis (+1,30%); Salvador (+1,18%); Curitiba (+0,80%); São Paulo (+0,62%); Belo Horizonte (+0,26%); Rio de Janeiro (–0,04%); e Porto Alegre (–0,79%).
Para investidores, a taxa de retorno do aluguel comercial foi maior em Salvador, de 10,11% ao ano, seguida de Campinas (8,48%) e Brasília (7,14%).
Fontes: Veja e Valor Investe
Fundos imobiliários enfrentam volatilidade das tarifas, mas mantêm expectativa de alta
Os fundos imobiliários (FIIs) chegaram a ensaiar no início de julho o esperado “rali” de antecipação aos cortes de juros, mas as tarifas de 50% impostas a produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevaram as incertezas neste mercado. Apesar da queda do Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (Ifix), investidores mantêm expectativa de alta consistente entre o quarto trimestre e o início de 2026.
O tarifaço americano elevou o prêmio de risco e a curva de juros futuros. As cotas dos fundos reagem mais ao movimento de juros do que ao próprio mercado imobiliário, pois investidores retiram recursos de aplicações mais arriscadas e a remuneração dos fundos espelha a dos títulos públicos atrelados à inflação, apontam analistas.
Por outro lado, o momento está atrativo para investir nos FIIs devido aos descontos nos preços das cotas. O dividend yield (DY) médio do Ifix está em 11%, bem acima da média de 8% dos últimos 10 anos. Os fundos de papel apresentam yields entre 12% e 14%, enquanto os de tijolo ficam entre 9% e 10%.
O Ifix negocia com desconto médio de 5% sobre o valor real dos ativos. Fundos de escritórios têm cotas até 30% abaixo da avaliação patrimonial, enquanto shoppings negociam 7% abaixo. “Se o investidor esperar o cenário clarear para começar a investir, pode ter certeza que os preços serão outros”, afirma Marx Gonçalves, da XP.
No boletim Focus, do Banco Central (BC), o consenso aponta para início do ciclo de baixa da Selic em 2026. A proposta de taxar em 5% os ganhos dos FIIs a partir de janeiro de 2026 pode acrescentar impulso extra ao mercado nos próximos meses.
O Ifix apresenta queda de 1,54% desde o recorde de 4 de julho, mas no ano ainda acumula alta de 10,43%, mostrando cautela sem pânico dos investidores.
Fonte: InvestNews