Crédito para construtoras despenca 49% em 2025, alerta Cbic. Incorporadoras compram agências bancárias para driblar escassez de terrenos. Caixa permite usar imóvel em financiamento como garantia para empréstimo.
Crédito para construtoras despenca 49 por cento em 2025, alerta Cbic
O financiamento bancário para construtoras caiu 49% entre janeiro e abril de 2025 comparado ao mesmo período de 2024, segundo a Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). Se a tendência persistir, o ano pode fechar com R$ 20 bilhões em financiamentos, queda de 60% ante os R$ 50 bilhões de 2024.
A principal causa é a sangria da poupança, base do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo). O Banco Central registrou resgates líquidos superiores a R$ 200 bilhões nos últimos quatro anos, com saída de R$ 10,3 bilhões só em maio de 2025.
“Os agentes financeiros estão destinando o recurso de menor custo para a aquisição e financiando a produção com recursos captados no mercado, de maior custo”, explica Ana Maria Castelo, da FGV/Ibre.
A Caixa Econômica Federal contesta os dados setoriais. Marcos Rosa, vice-presidente da instituição, afirma crescimento no financiamento à produção no primeiro trimestre e atribui a divergência a “comparações entre trimestres diferentes”.
Especialistas apontam que há recursos disponíveis. Somando poupança, LCI e LIG, o sistema acumulava R$ 1,13 trilhão em dezembro de 2024, enquanto a carteira habitacional era de apenas R$ 551 bilhões.
A Abrainc propõe ampliar a exigibilidade da poupança de 65% para 70% e reduzir o compulsório que retém R$ 150 bilhões como soluções para o problema estrutural do financiamento habitacional.
Fonte: Folha de S.Paulo
Incorporadoras compram agências bancárias para driblar escassez de terrenos
Pressionadas pela escassez de terrenos, incorporadoras apostam na compra de agências bancárias antigas para destravar localizações valorizadas. A digitalização reduziu drasticamente a circulação de clientes nas agências físicas.
Entre os maiores bancos – Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander – mais de 8,5 mil agências foram fechadas nos últimos dez anos. O Bradesco reduziu 42% das unidades, Santander 40%, Banco do Brasil 38% e Itaú 35%.
Um dos exemplos desta tendência é a One Innovation, que já executou nove projetos em terrenos que eram originalmente agências bancárias em São Paulo. “É um tipo de ativo cada vez mais raro. E os bancos perceberam que podem rentabilizar muito mais com a venda do terreno do que mantendo a agência funcionando”, afirma Paulo Petrin, vice-presidente da incorporadora.
Em bairros como Itaim, Moema e Pinheiros, o metro quadrado das agências alcança cifras bem acima da média. Na Alameda dos Maracatins, antiga agência do Itaú de 900 m² virou prédio da One Innovation, com nova agência de apenas 200 m².
Na cobiçada Av. Faria Lima, a RFM vai transformar uma agência do Santander em frente ao Iguatemi em um projeto residencial de altíssimo padrão, com projeto aguardando apenas leilão de CEPACs para sair do papel.
Na Juscelino Kubitschek, outras duas agências estão na mira do mercado: uma do Itaú e outra do Santander. “Essas agências se tornaram os novos terrenos premium da cidade. São grandes, planos, bem localizados. Algo que simplesmente não se encontra mais por aí”, argumenta Luciano Amaral, CEO da Benx.
Os bancos, antes focados em se desfazer das agências por meio de leilões tradicionais, agora possuem áreas especializadas na venda desses ativos para incorporadoras. Em alguns casos, é possível até mesmo permuta de unidades no projeto que será incorporado. “Tem muito investidor que montou carteira só com agências, por achar que era risco zero”, afirma Amaral.
A Tivio Capital, gestora criada por joint venture do Bradesco e BV, administra dois fundos com dezenas de imóveis alugados ao Banco do Brasil e já vendeu sete agências por R$ 155 milhões, com preços 40% acima do valor de laudo. “Em um dos casos, o lucro foi de 70%”, disse Erica Souza, head de tijolo da gestora. Segundo ela, 25% do portfólio tem possibilidade de incorporação.
Fonte: Metro Quadrado
Caixa permite usar imóvel em financiamento como garantia para empréstimo
A Caixa Econômica Federal lançou nova linha de crédito que permite a clientes pessoas físicas oferecerem imóveis em financiamento como garantia em operações de livre destinação. O Empréstimo com Garantia de Imóvel Caixa aceita imóveis urbanos quitados ou financiados pelo banco.
A modalidade tem taxas a partir de 1,32% ao mês e valor até 60% da avaliação do imóvel. As simulações e contratações podem ser feitas nas agências físicas ou digitais da instituição.
O banco possui R$ 6,7 bilhões em contratos ativos na modalidade, com cerca de 54 mil contratos e 25% de participação de mercado. A novidade é autorizar imóveis em financiamento como garantia.
O Novo Marco das Garantias, estabelecido pela Lei nº 14.711/2023, abriu esta possibilidade de negociação, permitindo ao tomador oferecer o mesmo imóvel como garantia para mais de um empréstimo. Quem financiou e pagou parte da dívida pode usar o valor remanescente para acessar mais crédito.
A linha tem prazo de até 240 meses para operações convencionais e até 360 meses para clientes que fizerem alienação estendida dos contratos de financiamento ativo, limitado ao prazo original do financiamento imobiliário.
Por meio da alienação estendida, o cliente mantém o contrato original e contrata novo financiamento usando a mesma garantia, respeitando valor e prazo remanescente do contrato original. O imóvel fica alienado como garantia, mas pode ser habitado normalmente, como ocorre em financiamento habitacional tradicional.
Fonte: IstoÉ Dinheiro
Projeto de luxo para Jericoacoara tem parceria de marketing com Zezé Di Camargo
O cantor Zezé Di Camargo entrou em parceria com o empresário João Gondim e a incorporadora Gran Vellas para construir o ‘Gran Vellas Jeri’, loteamento de alto padrão em Jericoacoara (CE). O terreno foi comprado por R$ 7 milhões e o empreendimento tem VGV (Valor Geral de Vendas) estimado em R$ 130 milhões.
O projeto possui 475 lotes de 251 m² em área de 228 mil m², localizado a 20 minutos da Vila de Jericoacoara e ao lado da Lagoa do Paraíso. Os lotes custam de R$ 246 mil a R$ 301 mil, com casas prontas variando de R$ 600 mil a R$ 3,5 milhões.
“Todo o empreendimento tem estação de tratamento. Não jogamos dejetos. Não há um impacto ambiental negativo, só positivo”, afirma Jefferson Oliveira, sócio-diretor da Gran Vellas Urbanismo. O projeto prevê posterior construção de resort com beach club, hotel e restaurantes.
Para viabilizar a obra, a GCB Investimentos estruturou um CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) de R$ 25 milhões, com rentabilidade de IPCA + 14% ao ano e investimento mínimo de R$ 1 mil através da plataforma PeerBR.
O envolvimento de Zezé Di Camargo está ligado ao marketing do empreendimento. “Ele desenvolveu, junto com o João, uma quadra dentro do empreendimento, e está ajudando a comercializar essas casas para os amigos dele”, explica Oliveira.
Os investimentos em infraestrutura devem ficar entre R$ 26 milhões e R$ 28 milhões, incluindo pavimentação, energia elétrica, drenagem pluvial e áreas comuns com piscina, academia e praia artificial.
Fonte: Estadão