Caixa deve injetar mais R$ 138 bilhões no crédito imobiliário em 2025. Incorporadoras retomam financiamento direto para driblar crédito escasso e caro. Avenida Braz Leme vira polo de alto padrão na zona Norte de São Paulo.
Caixa projeta R$ 250 bilhões em crédito habitacional com nova linha para reformas
O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, projeta encerrar 2025 com R$ 250 bilhões em contratações de crédito habitacional, sendo R$ 138 bilhões no segundo semestre. O valor representa crescimento de até 20% em relação aos R$ 223,6 bilhões liberados em 2024.
Entre agosto e setembro deste ano, o governo deve lançar um pacote para estimular o crédito imobiliário, incluindo uma nova linha para reforma de imóveis com prazo de até oito anos e taxas mais competitivas. “Vai ter uma previsibilidade que não tinha. Isso é bom para o mercado”, afirma Vieira sobre as mudanças no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
A linha de reforma usará recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do SBPE. “Se tiver uma linha de financiamento para fazer uma melhoria, ele vai ficar no mesmo imóvel”, explica o presidente. As mudanças devem gerar “uma fonte para que nos próximos cinco anos o crédito aumente anualmente em torno de R$ 70 bilhões a R$ 80 bilhões e estabilize a taxa de juros”.
“O presidente entende que a classe média também merece uma atenção dentro da política pública habitacional”, diz Vieira, sobre a nova faixa do programa Minha Casa, Minha Vida, que agora atende famílias com renda entre R$ 8 mil e R$ 12 mil, com orçamento de R$ 15 bilhões em 2025.
Ainda de acordo com o executivo, a Caixa planeja investir R$ 9,5 bilhões em tecnologia em 2025 e lançar um “super app” no primeiro trimestre. “Vamos ser uma fintech. A maior fintech do Brasil”, projeta. Segundo Viera, o banco também realizou 15 mil operações de microcrédito, com valor médio de R$ 12 mil e taxa de 0,5%, mirando 200 mil operações em 2025.
O executivo também confirmou o lançamento de uma plataforma de apostas no segundo semestre de 2025, com expectativa de arrecadar R$ 2 bilhões ainda em 2025 e R$ 7 bilhões no ano seguinte.
Fonte: Folha de S.Paulo
Com crédito escasso, incorporadoras retomam financiamento direto
Diante de um cenário de crédito mais restrito e caro no Brasil, incorporadoras resgatam modelos antigos de financiamento que dispensam bancos e funcionam bem para imóveis compactos voltados a investidores.
A venda direta aos consumidores, sem intermediação bancária, permite levantar recursos com clientes que pagam ao menos metade do valor durante a construção.
A Porte Engenharia é um exemplo: ela usa o financiamento direto como principal forma de captar recursos para obras de apartamentos compactos na zona leste de São Paulo. “Quando chega lá na frente, [o cliente] terminou de pagar. Não existe o financiamento que é padrão no mercado”, explica o diretor comercial Igor Melro.
A empresa leva até 50 meses do lançamento à conclusão, contra 36 meses em obras financiadas por bancos.
A Vitacon, focada em compactos, também tem usado esta estratégia para obter recursos com clientes, e complementa o fluxo via mercado de capitais. “A tabela de vendas funciona de forma que ele paga um percentual durante as obras e financia ao final ou quita com recursos próprios”, afirma o fundador Alexandre Frankel. Segundo ele, não falta demanda para compactos na cidade.
A Moura Dubeux, maior incorporadora do Nordeste, mantém estratégia de obras por regime de administração, também chamado “condomínio fechado”. A empresa reúne interessados que bancam a construção administrada pela incorporadora. “Não só permite que cresçamos com menor consumo de caixa e dependência de financiamento imobiliário, como também protege a companhia de distratos”, diz o CEO Diego Villar.
As obras por administração responderam por quase 54% das vendas da Moura no primeiro semestre, totalizando R$ 1 bilhão. A empresa lançou 130% mais no período e mantém dívida líquida em cerca de 10% do patrimônio líquido.
Para o advogado Henrique Gallo, do Orizzo Marques Gabrili e Coltro Advogados, o modelo permite elevar produção sem endividamento, mas traz mais risco ao comprador. Gallo lembra que a incorporadora Rossi, por exemplo, usou o sistema nos anos 1990, com seu “Plano 100”, onde financiava o cliente em 100 parcelas, com foco na classe média.
O mercado de capitais também tem demonstrado interesse nos modelos alternativos. Mauro Dahruj, sócio-diretor da gestora Hedge, estrutura um fundo com a Paladin para desenvolver residenciais compactos “incentivados” em bairros de classe média – imóveis que recebem benefícios públicos para atender o déficit habitacional.
Os projetos podem mesclar unidades incentivadas e de comércio livre, ampliando o público comprador. “Hoje, o produto correto é o que visa aos compactos ou a alta renda. [O compacto] é mais barato para construir e você vende mais rápido”, afirma Dahruj, que vê essa estratégia como saída para seguir produzindo em regiões de classe média onde projetos tradicionais se tornaram inviáveis.
Fonte: Valor Econômico
Avenida Braz Leme vira polo de alto padrão na zona Norte de São Paulo
A Avenida Braz Leme, na zona Norte de São Paulo, tem atraído incorporadoras como AW Realty e Meta para projetos voltados ao público de alta renda. A região recebeu seis projetos residenciais verticais desde 2015, sendo metade de alto padrão, totalizando 737 apartamentos novos com 94% já vendidos, segundo a consultoria Binswanger.
O preço médio dos apartamentos na avenida é de R$ 1,7 milhão, com tamanho médio de 121 metros quadrados, resultando em R$ 14 mil por metro quadrado, conforme 203 anúncios na plataforma Zap. Os preços variam entre R$ 400 mil e R$ 22 milhões para coberturas.
A proximidade ao aeroporto Campo de Marte limita a altura das construções por questões de segurança aérea, com prédios não passando de 16 ou 18 andares, mas isso não tem sido problema para atrair investidores e compradores. “A valorização se deu por dois motivos. O público queria ficar mais perto da marginal por causa da saída para trabalhar e por conta do próprio parque linear”, afirma Cláudio Carvalho, CEO da AW Realty.
O Mawe Braz Leme, da Meta Incorporadora, é um dos principais projetos, com apartamentos de 250 a 790 metros quadrados. Um diferencial para atender aos empresários é que o condomínio terá espaços de home office separados das unidades habitacionais: são 59 escritórios e 59 apartamentos, com entradas independentes para as áreas corporativas e residenciais. As primeiras unidades foram vendidas a R$ 16 mil o metro quadrado em 2022, enquanto as últimas alcançaram R$ 25 mil em 2025.
Dados da consultoria Brain mostram que os preços de lançamentos em Santana subiram 10,5% nos últimos 12 meses, chegando a R$ 12,5 mil por metro quadrado.
A região se desenvolveu ao longo dos últimos anos, com obras de infraestrutura, um parque linear e ciclovia atraindo comércios de alto padrão e a sede de empresas como a Totvs (desde 1992).
A empresa de tecnologia, antes chamada Microsiga, tem hoje uma sede com mais de 60 mil metros quadrados de área construída, mais de 1 mil vagas de estacionamento e um auditório para mais de 200 pessoas para apresentações e treinamentos, com investimento em torno de R$ 280 milhões.
Fonte: Estadão
Praia brasileira pode ter metro quadrado a R$ 100 mil até 2028
O bairro do Estaleiro, a poucos minutos do centro de Balneário Camboriú (SC), vive corrida por terrenos que pode elevar o valor do metro quadrado para mais de R$ 100 mil nos próximos três anos.
A região de natureza quase intocada tem atraído o mercado imobiliário de luxo brasileiro. Com apenas 40% das áreas liberadas para construção e outros 60% preservados por regras ambientais, o Estaleiro oferece baixa densidade urbana e limitação de altura a quatro andares.
“Esse conjunto de fatores torna a região única. A demanda aumenta e a oferta é escassa, o que pressiona os preços para cima”, explica Fabrício Bellini, CEO da construtora Blue Heaven. A empresa desenvolve empreendimentos como AQUOS e Monolyt, que misturam arquitetura de vanguarda com paisagens preservadas, incluindo mansões com piscinas de vidro no topo. Os valores atuais já estão girando em torno de R$ 40 milhões por unidade.
O Estaleiro foi eleito recentemente a melhor “Praia de Vila” das Américas e da Península Ibérica pelo Centro Internacional de Formação em Gestão e Certificação de Praias (CIF Playas), reforçando o apelo internacional da região. “O Estaleiro tem localização estratégica, entre o burburinho da cidade e importantes eixos turísticos e industriais. Soma-se a isso um comprador que valoriza sustentabilidade, design e privacidade”, resume Bellini.
A região atrai público de alto padrão que busca privacidade, natureza, vistas panorâmicas e exclusividade, contrastando com a verticalização extrema do centro de Balneário Camboriú.
Fonte: O Globo