O que é IGP-M e como é calculado?

Compartilhar a notícia

Entenda o que é IGPM e porque ele é o principal indicador que regula reajustes e correções de valores no mercado imobiliário.

08 de março de 2023

Autor Time Loft
Atualizado: 06 de setembro de 2023 13 min de leitura
O que é IGPM?

Acompanhando o noticiário econômico, você perceberá que existem diversos índices utilizados para medir a inflação no Brasil — e um deles é o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M). Mesmo assim, muitas pessoas não sabem o que é IGPM e como ele impacta o cotidiano. É o seu caso?

Um indicador como ele funciona como um termômetro para a economia brasileira e impacta diversos setores — desde o mercado imobiliário até o financeiro. Além disso, os números do IGPM são utilizados como base de reajustes e correções de preços no mercado.

Neste artigo, além de saber o que é IGPM, você ainda aprenderá como é feito o cálculo, qual a influência das flutuações desse indicador e quais os principais impactos desse índice no mercado imobiliário e nos contratos de aluguel.

O que é o IGP-M?

O Índice Geral de Preços do Mercado, conhecido pela sigla IGPM ou IGP-M, é um indicador de inflação que mede a variação dos preços de bens e serviços do mercado brasileiro.

Seu objetivo é, periodicamente, acompanhar essas flutuações e fornecer dados sobre a inflação do país. Apesar de não ser o indicador oficial da inflação no Brasil, ele é um dos índices de preços mais relevantes e influentes para a economia.

O cálculo do IGPM é feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a sua publicação é mensal por meio do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) — também da FGV. Essa iniciativa nasceu ainda na década de 1940, sendo um dos tipos de Índice Geral de Preços (IGP).

Como você verá, o IGPM é composto por três indicadores:

  • Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA);
  • Índice de Preços do Consumidor — Mercado (IPC-M);
  • Índice Nacional de Custo da Construção — Mercado (INCC-M).

As cidades usadas na base de cálculo são Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. Cada cidade tem um peso diferente no número final, já que o cálculo é ponderado.

Qual é a função do IGPM?

Como indicador econômico, o IGPM desempenha duas funções principais: servir como base de cálculo para ativos e medir a variação de preços no mercado nacional. O índice realiza esse cálculo sobre bens, dinheiro, crédito, direitos, entre outros.

Como você aprendeu, ele é um dos principais indicadores do Brasil, fornecendo dados gerais sobre o mercado financeiro e trazendo informações sobre a economia nacional. 

Inclusive, é comum que ele sirva como referência até para investidores. Afinal, ele pode influenciar alguns investimentos do mercado financeiro e ajudar a fazer projeções ou compreender o desempenho de determinados mercados. 

Além disso, o IGPM é um coeficiente de correção que pode servir como uma espécie de indexador de contratos. Nessa função, ele serve como uma referência para reajustes contratuais, como aqueles de aluguel, venda, e compra de imóveis. 

Por isso, o indicador pode ser usado para calcular reajustes de aluguéis no país e ainda ajuda a calcular tarifas da agricultura, energia elétrica, faculdades, planos de saúde e outras.

A aplicação depende, primeiramente, da lei da oferta e da procura. Se há alta demanda e pouca oferta, a tendência é que os preços aumentem. Nessa situação, o IGPM é usado como referência para indexar e direcionar esses aumentos.

Anúncios

Tabela IGPM 2023

MêsVariação em %Variação no Ano
agosto/2023-0,14-5,28
julho/2023-0,72-5,15
junho/2023-1,93-4,46
maio/2023-1,84-2,58
abril/2023-0,95-0,75
março/20230,050,20
fevereiro/2023-0,060,15
janeiro/20230,210,21
dezembro/20220,455,46
novembro/2022-0,564,99
outubro/2022-0,975,58
setembro/2022-0,956,61

Quais outros índices compõem o cálculo do IGPM?

O IGPM é composto por três indicadores diferentes, como você já conferiu. Ademais, cada um possui um peso específico no cálculo. Além de conhecer como cada um colabora para o cálculo do indicador final, vale a pena entender mais sobre cada um deles.

Confira mais informações!

Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA)

O IPA tem como finalidade registrar as variações de preços de produtos agropecuários e industriais, antes da venda ao consumidor final. O responsável pelo cálculo é a Fundação Getúlio Vargas (FGV), assim como acontece com o IGPM e os demais índices que o compõem.

Esse é o índice de maior porcentagem no cálculo final do IGPM, correspondendo a mais da metade do total (60%). Ele é classificado como um indicador que monitora a indústria atacadista, conseguindo expressar as movimentações financeiras do varejo e os impactos na economia.

Índice de Preços ao Consumidor (IPC)

O IPC calcula a variação de preços de bens e serviços. Para que isso seja possível, o indicador faz a seleção de despesas rotineiras de famílias com uma média salarial entre 1 e 33 salários mínimos.

Dentro desse contexto, os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) são usados para atingir o resultado dessa relação do consumo das famílias brasileiras. A pesquisa é produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Índice Nacional de Custo da Construção (INCC)

Agora que você já sabe dois dos três itens que compõem o IGPM, está na hora de conhecer o último: o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Ele abrange o mesmo território geográfico que o Índice Geral de Preços do Mercado.

A construção civil é o objeto de estudo desse indicador e ele considera a evolução desse mercado por meio de preços de materiais, serviços, mão de obra, dentre outros.

Quais as diferenças entre IGPM e IPCA?

Após entender o que é IGPM, é natural ter dúvidas sobre a relação dele com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), não é mesmo? Afinal, esses são dois indicadores importantes para a economia brasileira.

Ambos são usados para acompanhar a mudança de preços do mercado e os impactos no cotidiano da população e, por isso, podem ser considerados índices de inflação. No caso, o IGPM representa os preços do mercado, de maneira geral, enquanto o IPCA contempla os preços ao consumidor amplo.

Porém, apesar de serem parecidos, existem diferenças consideráveis entre esses dois indicadores. O IPCA pode abranger mais de 90% das famílias localizadas em áreas urbanas devido à sua metodologia de cálculo. 

O IPCA também se destaca por medir a inflação de produtos, avaliando como as variações de preço afetam o poder de compra da população. Ainda, ele é considerado o índice oficial da inflação no Brasil.

Já o IGPM pode ser considerado um índice mais nichado, já que ele influencia os valores relativos a imóveis, materiais de construção, dentre outros. Mas, apesar das diferenças, ambos influenciam o mercado brasileiro e são relevantes para a economia.

Quem é o responsável por fazer o cálculo do IGPM?

Como você aprendeu, o responsável por realizar o cálculo do IGPM é a Fundação Getúlio Vargas. Essa instituição também assume o papel de conduzir diferentes pesquisas sobre os impactos na vida da população.

Vale saber que a FGV é uma instituição de ensino superior no Brasil, fundada em meados de 1944. Ela é considerada uma das fundações mais famosas do país, com contribuições relevantes à economia nacional.

Inclusive, a fundação fomenta a participação de estudantes em pesquisas variadas que afetam direta ou indiretamente a sociedade. Ela também é responsável pela elaboração de diversos índices. Como você viu, todos os índices que formam o cálculo do IGPM são gerados pela FGV.

A partir desse cálculo, é possível definir reajustes de aluguéis e elementos de outros contratos de natureza imobiliária, como a prestação de serviços. Portanto, esse é um importante indicador da inflação no país, sendo utilizado para embasar decisões de peso — como aquelas ligadas à economia.

Como é feito o cálculo?

O cálculo do IGPM costuma ser relevante para corretores, gestores imobiliários e investidores de modo geral. Porém, ele também é útil para o público geral, o que torna interessante conhecê-los.

Esse cálculo feito pela FGV é divulgado todo mês. A organização utiliza os números referentes ao IPA, IPC e INCC, sem esquecer de considerar o peso proporcional à porcentagem de cada um deles, para encontrar a média ponderada. A fórmula é a seguinte:

IGPM = (IPA x 0,6) + (IPC x 0,3) + (INCC x 0,1)

Para acompanhar as variações do IGPM, não é preciso fazer os cálculos por conta própria, bastando acompanhar a divulgação mensal feita pela FGV.

Quando o IGP-M é divulgado?

O IGP-M é calculado mensalmente e divulgado entre 8 a 10 dias após o fim da coleta de dados, nos últimos dias de cada mês. Em 2023, os dias de divulgação serão os seguintes:

Mês de referência (2023)Data de divulgação
Setembro28/09/2023
Outubro30/10/2023
Novembro29/11/2023
Dezembro28/12/2023

O que influencia as flutuações desse indicador?

Ao pensar nas flutuações do IGPM, é importante considerar que há diversos fatores que podem influenciar os movimentos do índice. Portanto, ele pode passar por altas ou baixas, dependendo das condições do mercado.

Entre os principais motivos para as flutuações estão:

Inflação dos preços dos bens e serviços

Primeiramente, há a questão da variação dos preços dos bens e serviços utilizados no cálculo do IGPM. Assim, as oscilações nos preços de bens e serviços incluídos no IPA, IPC e INCC afetarão o valor do indicador final, certo?

Condições econômicas

Fatores como o crescimento ou a retração da economia, o desemprego e a taxa de juros também podem influenciar o IGPM. Isso acontece porque esses cenários conseguem gerar reflexos mais significativos no curto prazo, levando a mudanças nas perspectivas de mercado e, consequentemente, no indicador.

Mudanças na política monetária

O Banco Central (Bacen) é a autoridade monetária do país, o que o torna responsável por decisões, políticas e planejamentos. Essas questões geram reflexos no mercado financeiro e no cotidiano e, com isso, podem levar a mudanças no IGPM.

Fatores externos

Também existe a influência dos fatores externos ao Brasil, como eventos internacionais, crises econômicas, guerras ou desastres naturais. Como esses cenários podem levar a um aumento nos preços, por exemplo, a tendência é que os índices também sejam impactados.

O que o índice do IGPM influencia?

Até aqui, você descobriu que o cálculo do IGPM envolve o monitoramento de variados tipos de produtos que fazem parte do dia a dia. Mas o que isso realmente significa?

Na prática, ele monitora os valores gerais, desde matérias-primas de origem animal, vegetal ou mineral, até bens e serviços do consumidor final. Entre as alternativas observadas, estão:

  • imóveis;
  • aluguéis;
  • vestuário;
  • alimentação;
  • cartórios;
  • lazer;
  • transporte;

Com isso, o IGPM se relaciona a muitos elementos de consumo do cotidiano, incluindo produtos básicos da rotina. Do mesmo modo, os resultados dele podem influenciar as decisões do Bacen, o que pode impactar a economia de forma ampla.

Um dos pontos fundamentais sobre o IGPM é que ele pode interferir no preço que você pagará de aluguel ao renovar o contrato. Embora a forma de reajuste seja definida entre as partes, esse é o índice mais tradicional. 

Na prática, é utilizado o acumulado de 12 meses do índice. Então, a depender dos movimentos da economia, você pode ter um reajuste maior ou menor — ou negativo, como já aconteceu em algumas oportunidades. 

O mesmo vale para contratos de serviços públicos, como água, gás, entre outros, que costumam ser ligados ao índice. Como resultado, o seu custo de vida pode ser diretamente afetado pelo desempenho do indicador.

E essa influência pode se estender para o mercado de investimentos. É o caso de aplicações de renda fixa que usam o IGPM para indexar o retorno, por exemplo, ou fundos imobiliários (FIIs), que podem ter imóveis locados em seu portfólio e sofrer os efeitos desse índice nos reajustes. 

Quais são seus impactos no mercado imobiliário?

Em geral, o IGPM é utilizado no ajuste dos valores contratuais nos processos de aluguel, compra e venda de imóveis. Assim, ele é a principal referência na definição de reajustes e correções nas negociações imobiliárias, incluindo financiamentos de longo prazo.

Nesse cenário, os números do IGPM influenciam os aluguéis. Ou seja, se ele sofre um aumento repentino, essa locação pode sofrer alterações, como você acompanhou.

Ademais, os custos do financiamento estão entre os impactos do IGPM no mercado imobiliário. Isso acontece porque ele é utilizado como referência para reajustar as parcelas de alguns financiamentos. Isso pode tornar o financiamento mais caro e afetar a capacidade de pagamento, então é preciso ter atenção.

Ainda, o IGPM pode afetar o valor dos imóveis, já que um aumento na inflação geralmente leva a um aumento nos preços dos imóveis. Da mesma forma que acontece com os financiamentos, o preço dos empreendimentos imobiliários pode mudar.

O IGPM também pode interferir na decisão de investidores imobiliários, já que um aumento na inflação pode tornar os investimentos imobiliários menos atraentes.

Por outro lado, é possível se proteger do avanço desse índice ao realizar certos investimentos. Se você alugar um imóvel, por exemplo, poderá reajustar o aluguel pelo indicador, o que ajudará a evitar a perda do poder de compra dessa renda.

Ao longo deste artigo, você aprendeu mais sobre o que é o IGPM e os possíveis impactos que esse indicador pode causar no mercado. Agora, é mais fácil ver como ele se relaciona com seu dia a dia — tendo atenção aos pontos mais relevantes, como o reajuste dos preços da locação.

Resumo

Qual é o valor do IGP-M hoje?

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) caiu 0,72% em julho de 2023, acumulando queda de 5,15% no ano e de 7,72% em 12 meses.

IGP-M acumulado de agosto de 2023

O IGP-M caiu 0,14% em agosto, acumulando quedas de 5,28% no ano e de 7,20% em 12 meses.

Qual foi o IGP-M acumulado em 2022?

O índice acumulado em 2022 foi de 5,45%, percentual bem abaixo do que havia sido registrados nos 12 meses encerrados em janeiro do ano passado, 16,9%.

Bateu aquela dúvida na matéria que você leu? Deixe nos comentários que o Time Loft responde!

Veja também

Como é morar em Osasco - SP

Bairros

09 de dezembro de 2023

Como é morar em Osasco - SP?

Divida de cartao de credito

Assuntos financeiros

08 de dezembro de 2023

Dívida de cartão de crédito: 7 dicas para sair do vermelho

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.