Como é morar na dinâmica região de Perdizes?

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Na região com 3º melhor IDH de São Paulo, Perdizes se destaca ao oferecer dinamismo sem abrir mão do charme bucólico do passado.

29 de novembro de 2019

Autor Time Loft
Atualizado: 03 de outubro de 2023 11 min de leitura
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Como muitos bairros nobres da cidade atualmente, Perdizes era, naquela época, composta basicamente por propriedades rurais. Na virada do século, com a presença crescente de fábricas e linhas de trem nas redondezas, sua aparência bucólica com riachos e bosques ainda persistia.

A história de Perdizes

Em 1897, Perdizes entra na planta oficial do município e logo vê um crescimento imobiliário entre a classe média, que se estende até os anos 1940. Quando a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) abre as portas, em 1946, começa uma nova fase sociocultural do bairro.

Vale destacar que, mesmo em 1960 – pouco antes do início do adensamento vertical para valer, que soterrou córregos e fez subir prédios aos montes São Paulo afora – até a famosa Avenida Sumaré ainda terminava em um pântano, com um ribeirão por perto. “Para cruzá-lo, as pessoas passavam por cima de tábuas de madeira. Ao longo dela, havia dois campinhos de futebol de várzea, onde os moradores se encontravam nos fins de semana para partidas de solteiros contra casados”, disse Jorge Eugênio Alves, trabalhador da região naqueles tempos, ao São Paulo in Foco. 

Em meio à criação do skyline hoje característico da capital paulista, Perdizes conseguiu manter parte relevante de seus traços. Possui muitas propriedades recém-tombadas entre prédios baixos, casas e casarões, que convivem lado a lado com edifícios de alto padrão.

Ressignificando a história: A Casa Tombada

Em julho de 2015, os sócios Ângela Castelo Branco e Giuliano Tierno fundaram A Casa Tombada, um espaço de arte, cultura e educação instalado, como o nome entrega, em uma construção tombada na Rua Ministro Godói, em Perdizes.

Utilizar uma estrutura oficialmente preservada para qualquer fim não é fácil, visto que renovações e alterações devem ser mínimas e seguir códigos rígidos. Para a dupla, é um esforço que vale a pena. 

“A arquitetura de um determinado edifício nos dá a ver os valores éticos, estéticos, poéticos e políticos de um determinado tempo histórico. Numa arquitetura tombada reconhecemos o que foi e como foi essa cidade, como ela está – porque a vemos lado a lado com a arquitetura de seu tempo – e qual cidade queremos”, fala Giuliano. 

Morador do bairro, Giuliano explica que a casa vem sendo reconhecida pelos vizinhos como um espaço de acolhimento afetivo. Em meio aos prédios e ao espaço urbano como espaço de passagem entre um apontamento e outro, oferece um quintal com cadeiras de praia e rede para alunos e visitantes – um pequeno luxo em uma cidade como São Paulo. 

Para ele, Perdizes é um bairro complexo de se definir. “Estamos no limiar entre Perdizes, Água Branca e Barra Funda e isso nos faz ter muitas visões”, resume. Ao fim e ao cabo, continua, “a geografia é o fundamental, pois é um bairro muito bem localizado, com muita oferta de transporte público, muitos espaços culturais e serviços.”

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Vantagens de morar em Perdizes

Muitos de seus moradores gostam de Perdizes devido ao estilo tranquilo do bairro – seu distrito tem 3º melhor IDH da cidade –, que resiste também nos comércios. Hoje ainda estão de pé padarias antigas e lojas de aviamento frequentadas tanto por senhoras que gostam de tricotar quanto por estudantes da vizinha Faculdade Santa Marcelina, o que demonstra o dinamismo sempre renovado do local

A juventude está sempre presente em Perdizes graças aos arredores cheios de escolas – como Colégio Santa Marcelina, Batista Brasileiro e Pentágono – e universidades, incluindo a PUC-SP, uma das mais conceituadas do país e importante peça histórica no período da ditadura militar, que deixou um legado de debates de alto nível sobre temas atuais. Esse dinamismo se estende às opções culturais locais, que incluem espaços de cursos, teatros e animados carnavais de rua.

As ruas arborizadas e a infraestrutura de qualidade tornam o bairro de Perdizes um dos mais desejados de São Paulo, incluindo quando se trata de apartamentos de alto padrão. As construções preservadas adicionam charme às suas ruas e as colinas garantem, com bastante frequência, uma ótima vista da cidade.

Só em 2018, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) aprovou o tombamento de seis edificações em Perdizes, como o casarão da Rua Turiassú.

Perdizes fica próxima de diversos outros bairros vibrantes, como Barra Funda, Lapa, Pinheiros, Vila Madalena, Jardins, Higienópolis e o centro paulistano. 

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Vista da Avenida Sumaré, uma das vias mais importantes da região, com sua ciclovia ao meio

Como ir para Perdizes?

Em termos de mobilidade, é bem localizada com um corredor de ônibus na Avenida Matarazzo e, a depender da localidade, próxima de diversas estações de metrô, como Palmeiras-Barra Funda, Marechal Deodoro, Sumaré e Vila Madalena. Sua longa ciclovia na Avenida Sumaré também merece citação.

Ônibus

As principais vias de circulação de ônibus no bairro estão na Avenida Sumaré e Rua Cardoso de Almeida. Pela Avenida Sumaré circulam 16 linhas, duas delas noturnas – N205-11 e N206-11. A avenida, que se encontra com a Avenida Dr. Arnaldo na altura do metrô Sumaré, é a via que liga o bairro à região da Av. Paulista.

Já na Rua Cardoso de Almeida circulam outros 10 ônibus e é a principal via usada pelos alunos da PUC-SP e de outras instituições de ensino da região. É também na Cardoso de Almeida que ficará a futura estação de metrô da Linha 6-Laranja.

Além delas, o bairro está bem perto de outras duas vias importantes com corredores de ônibus: as avenidas Francisco Matarazzo e Pompéia, na Lapa.

Metrô e trem

O bairro será um dos mais atendidos pela futura Linha6-Laranja do metrô. Em fase de construção, a expectativa da Concessionária Linha Universidade, responsável pelas obras, é que a linha transporte cerca de 633 mil passageiros por dia – em sua maioria, alunos das faculdades e escolas da região.

Serão ao menos 5 estações na região, com duas bem no centro do bairro – as estações Perdizes e a PUC – Cardoso de Almeida. A previsão de conclusão das obras é para o fim de 2025.

Hoje, as opções para chegar ao bairro de metrô são as estações próximas de Palmeiras-Barra Funda e Marechal Deodoro – ambas da Linha 3-Vermelha, e as estações Sumaré e Vila Madalena – da Linha 2-Verde.

Ciclovia

A geografia do bairro, com íngremes ladeiras e alguns pontos, prejudica a instalação das ciclovias em Perdizes. Contudo, há duas de grande extensão e importância: a Ciclofaixa Perdizes / Santa Cecília / Higienópolis, com 4,1 km de extensão e que liga 3 dos principais bairros nobres da zona oeste de SP, e a Ciclofaixa da Avenida Sumaré. Com mais de 3 km de extensão total, tem ligação com as ciclovias Viaduto Antártica e Henrique Schaumann.

Perdizes é um bairro nobre?

Sim. Perdizes é um dos principais bairros nobres de São Paulo e, ao lado de Higienópolis, o principal da região oeste da cidade. Comprar um apartamento em Perdizes pode sair entre R$ 230 mil e R$ 11 milhões. Segundo o levantamento de janeiro de 2023 do Especulômetro, do Loft Dados, o valor do metro quadrado no bairro de Perdizes é de R$ 8.282. 

A mistura de prédios novos e antigos faz Perdizes ter um dos condomínios mais caros de São Paulo, cerca de R$ 12,31 por metro quadrado – a 21ª taxa mais cara em toda a cidade. Para comparação, um apartamento de 80 m² paga em média R$ 984,99 de condomínio no bairro.

Perdizes é iluminada?

No geral, a percepção é de que o bairro é iluminado. De acordo com estudo feito pelo Observatório Primeira Infância em 2016, a taxa entre total de lâmpadas/km² em Perdizes era de 762,13, bem acima da média da cidade, de 596,34. Na época, o total de pontos de luz registrados foi de 4.649 nos 6,1 km² de área do bairro. Em 2021, Perdizes registrou com 3.385 lâmpadas de iluminação pública, segundo dados da plataforma Observa Sampa – 1,3 mil lâmpadas a menos do que os números de 2016.

O bairro de Perdizes é perigoso?

Em 2020, o Distrito Policial do bairro figurou entre os 10 IECVs (Índice de Exposição aos Crimes Violentos) mais baixos da cidade, medidos pelo Instituto Sou da Paz, com um índice de 4.69 – a média em toda a cidade de São Paulo foi de 11.01. Quanto mais perto do zero, menor é a exposição à violência.

Mas Perdizes registrou alta nos índices de violência em 2022. Segundo dados do 23º DP de Perdizes, principal responsável pela segurança do bairro, foram 3 homicídios dolosos no ano de 2022 – em 2021, foi registrado apenas 1. Também houve alta nos roubos e furtos. Em 2022 foram registrados 2.853 roubos em Perdizes, contra 1.824 no ano anterior. Já os furtos saltaram de 5.414 em 2021 para um total de 7.428 em 2022.

Perdizes é um bairro limpo?

A Ecoss Ambiental é responsável pela limpeza das ruas do Subdistrito da Lapa, que inclui Perdizes. Segundo dados da empresa, a varrição de vias menores ocorre duas vezes por semana e, em ruas de maior movimento como a Rua Cardoso de Almeida, todos os dias, por um período de ao menos 8 horas.

É de responsabilidade da empresa a limpeza das vias em dias de feiras livres, como a que acontece na Rua Ministro Godói às terças-feiras. O Ecoponto mais próximo ao bairro é o localizado na Av. Antártica, na Barra Funda. No local podem ser descartados móveis velhos como camas, armários, sofás, colchões, eletrodomésticos quebrados e restos de madeira e metal. Todos os ecopontos funcionam de segunda a sábado, das 6h às 22h, e aos domingos e feriados, das 6h às 18h.

Opções de gastronomia e lazer em Perdizes

Em Perdizes, há opções para todos os gostos. 

Quem prefere ficar ao ar livre, conviver com os vizinhos e assistir jogos de futebol na rua (o estádio Allianz Parque, aliás, fica nas redondezas) pode optar pelo calçadão de bares na Avenida Professor Afonso Bovero, na altura do número 554. Entre petiscos e pasteis, é possível ver a tarde passar em clima de cidade pequena.

O Sesc Pompeia, projetado por Lina Bo Bardi, tem sempre boas opções musicais e artísticas, além de gastronomia com um ótimo preço. Para quem gosta de teatro, há os tradicionais Tuca e Tucarena. A Casa Tombada, um espaço cultural que oferece cursos diversos em um casarão conservado, também vale a visita em Perdizes.

Espaços verdes não faltam, como: 

  • Horta Comunitária da Vila Pompéia
  • Praça da Nascente
  • Parque da Água Branca (que abriga às terças, sábados e domingos a feira de orgânicos mais antiga de São Paulo)

O parque é ponto favorito de Giuliano, d’A Casa Tombada, assim como a Livraria Záccara.

O Bourbon Shopping São Paulo, um dos mais modernos da cidade, é uma ótima parada para resolver pendências e possui uma das poucas salas IMAX paulistanas. Para quem gosta de aventura, a Casa de Pedra, maior casa de escalada do tipo no Brasil, oferece passes diários, mensais e anuais.

Em termos de gastronomia, Perdizes é um dos distritos com mais bares e restaurantes de SP, segundo levantamento do Loft Dados: são ao menos 80 no bairro, uma média de 13 por km². Entre os destaques estão os restaurantes:

  • Petí Gastronomia
  • Ecully
  • Bráz Pizzaria
  • Des Cucina 
  • Namga

Entre os bares de Perdizes estão:

  • Cervejaria Ideal
  • Trilha
  • Fatiado Discos 
  • Esquina do Souza

Entre uma caminhada e outra, vale procurar a Santiago Padaria Artesanal, que serve pães quentinhos de azeite e de alecrim.

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