O mercado imobiliário brasileiro sempre foi complexo por natureza. Não por acaso, mas por estrutura. Décadas de burocracia acumulada, informalidades enraizadas, processos manuais que resistiram à digitalização e uma cadeia de intermediação que, por muito tempo, foi vista mais como obstáculo do que como ativo. Quando as primeiras proptechs surgiram no Brasil, a promessa era simples e sedutora: tecnologia eliminaria tudo isso.
Essa tese envelheceu mal.
Durante anos, boa parte do mercado comprou a fantasia de que tecnologia, sozinha, substituiria a intermediação. Bastaria digitalizar a busca, automatizar documentos, ligar tudo por API. O corretor viraria detalhe. A imobiliária, uma camada antiga. Essa tese envelheceu mal.
A Loft entendeu isso antes de boa parte do setor.
A Virada que Poucos Souberam Nomear
No Brasil, o futuro do setor não passa pela desintermediação. Passa pela qualificação da intermediação.
Essa distinção parece sutil, mas muda tudo. Ela define quem constrói produto para o mercado real e quem constrói produto para o mercado que gostaria que existisse.
Os dados confirmam o que qualquer profissional experiente já sabia na prática.
Em pesquisa da Loft com a Offerwise, apenas 11% dos brasileiros disseram que comprariam ou alugariam um imóvel em um processo 100% digital. À medida que a jornada avança, a preferência por contato humano cresce: 72,3% querem visitar o imóvel presencialmente, e 79,2% preferem relação presencial ou híbrida com a imobiliária.
Isso não é resistência irracional à tecnologia. É uma leitura precisa de como decisões de alto valor funcionam na vida real. Comprar ou alugar um imóvel é, para a maioria das famílias brasileiras, a transação financeira mais significativa do ano. Às vezes, da vida. Nenhum aplicativo substitui a confiança que se constrói numa conversa.
Tecnologia Como Infraestrutura, Não Como Substituto
Quando uma empresa deixa de enxergar parceiros como mero canal de distribuição e passa a tratá-los como parte essencial da solução, ela sai da lógica de plataforma vazia e entra na lógica de infraestrutura setorial. Foi exatamente essa leitura que ganhou força na trajetória recente da Loft, inclusive com a unificação de marcas sob uma estratégia única em abril de 2024 e com um discurso explícito de parceria, escala com presença local e foco em relações de longo prazo com imobiliárias.
O resultado dessa postura é visível nos números.
A Loft processou 1,2 milhão de transações em 2025, somando compras, vendas e aluguéis, um avanço de 35% em relação ao ano anterior, completando seu segundo ano consecutivo de lucratividade após atingir o break-even no quarto trimestre de 2023.
Isso posiciona a Loft como uma operadora lucrativa e geradora de caixa num segmento que passou a maior parte de sua existência consumindo capital de risco em ritmo acelerado.
Crescimento sustentável, num setor que já viu muitas empresas crescerem rápido e quebrarem mais rápido ainda, não é um detalhe. É a prova de que o modelo funciona.
O Ecossistema Que Se Constrói Camada por Camada
A fragmentação do mercado imobiliário brasileiro é exatamente o que a Loft identificou como sua oportunidade: em vez de competir diretamente pelo consumidor final, a empresa se posicionou como a camada de tecnologia e serviços financeiros que ajuda as imobiliárias a crescerem.
Essa escolha estratégica gerou um ecossistema coerente.
Os produtos de fintech hoje geram a maior parte da receita da Loft, liderados pelo Fiança Aluguel, com produtos adjacentes em forte expansão: contratos de Home Equity cresceram 104%, contratos do Garantia Investe cresceram 84%, e duas novas ferramentas de pagamento foram lançadas no segundo semestre de 2025.
Cada produto resolve um problema real de quem opera no mercado.
O Loft/Antecipa, operado em parceria com a CashGo, permite a proprietários o adiantamento de até 24 meses de aluguel em 24 horas.
O Loft/Repasse, lançado um mês antes, automatiza o fluxo de contas a pagar e receber, como cobranças de aluguel e comissões, e reduziu pela metade o tempo gasto pelas imobiliárias com administração, cortando em até 70% os custos com tarifas bancárias.
Esses não são produtos criados para impressionar investidores em apresentação de slides. São ferramentas construídas a partir de dores operacionais reais, identificadas dentro de uma rede de parceiros que a Loft conhece de perto.
O Que Vem a Seguir
A empresa planeja investir R$ 100 milhões em tecnologia em 2026, 50% acima da média dos dois anos anteriores, aprofundando uma vertical de SaaS com inteligência artificial voltada para imobiliárias e monitorando uma janela potencial de IPO no mercado norte-americano.
Segundo o CEO Mate Pencz, 2026 será o ano de expansão de produtos e funcionalidades tanto no universo financeiro quanto em software, com agentes de IA para facilitar a vida das imobiliárias, como qualificar e gerenciar leads.
A direção é clara. Não se trata de adicionar features por adicionar, mas de aprofundar uma tese que já demonstrou funcionar: automatizar processos historicamente manuais, como qualificação de leads, gestão de inadimplência, processamento de pagamentos e conformidade regulatória.
A Lição que o Setor Ainda Está Aprendendo
O mercado imobiliário brasileiro não precisa apenas de inovação. Precisa de padrão. Padrão de conduta, de transparência, de tratamento de dados, de previsibilidade operacional.
A história recente da Loft tem insistido justamente nessa combinação entre tecnologia, governança, ética e relacionamento humano. Esse é um sinal de amadurecimento que o setor deveria levar mais a sério.
O mercado imobiliário brasileiro tem escala, tem demanda e tem uma cadeia de profissionais competentes que, por muito tempo, trabalharam com ferramentas aquém do que mereciam. O papel da tecnologia nunca foi substituir essa cadeia. Foi sempre o de fortalecê-la.
A proptech brasileira será mais útil no dia em que parar de vender a fantasia da autonomia total e assumir sua vocação real, que é organizar confiança em escala. Isso não diminui a tecnologia. Coloca a tecnologia no lugar certo.
É exatamente aí que a Loft escolheu estar.

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