O que é arquitetura social e como funciona? Veja sua relevância no mercado imobiliário!

Compartilhar a notícia

Você sabe o que é a arquitetura social e como ela funciona? Conheça os principais exemplos dessa prática e a sua importância no Brasil!

18 de dezembro de 2023

Autor Time Loft
Atualizado: 18 de dezembro de 2023 6 min de leitura
O que é arquitetura social e como funciona

Um dos principais objetivos da arquitetura é pensar e elaborar projetos que atendam às necessidades humanas. No Brasil, onde a desigualdade social ainda é uma característica marcante, a arquitetura social entra em cena para garantir mais qualidade de vida às pessoas. 

Isso ocorre porque um projeto arquitetônico feito com qualidade, respeitando os aspectos técnicos e as funcionalidades do ambiente, pode interferir de modo decisivo no bem-estar da população. No contexto social, os projetos consideram a sustentabilidade, além de questões funcionais e de segurança.

A seguir, você entenderá o que é arquitetura social e qual é a sua importância no Brasil. Acompanhe a leitura!

O que é arquitetura social?

A arquitetura social é uma prática que visa o desenvolvimento de projetos arquitetônicos voltados para pessoas de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade social. Ela também se relaciona ao planejamento de espaços urbanos e à construção de moradias 

O seu principal objetivo é proporcionar o acesso à habitação digna e promover a qualidade de vida dos moradores. Essa abordagem faz parte do paradigma da arquitetura sustentável, que busca organizar o espaço para atender às necessidades presentes sem comprometer as futuras gerações. 

De modo geral, a arquitetura social não se restringe apenas à construção de moradias. Isso ocorre porque ela reconhece que a habitação atende às necessidades básicas dos seres humanos: segurança e estabilidade para o seu desenvolvimento pessoal e integração na sociedade. 

Como funciona a arquitetura social?

Após entender o conceito de arquitetura social, vale a pena saber como essa prática funciona. Primeiro, convém ressaltar que ela vai além da estética, priorizando aspectos como:

  • uso de materiais apropriados;
  • condições do terreno;
  • reformas;
  • disponibilidade de mão de obra;
  • situação socioeconômica dos moradores locais.

Portanto, a arquitetura social visa a criação de prédios e casas acessíveis para a população de baixa renda, considerando políticas públicas urbanas e de habitação. A meta é promover a inclusão, o acesso e a sustentabilidade.

A ideia também é estabelecer uma harmonia entre os espaços construídos e as pessoas, bem como fortalecer a conexão entre a vida humana e a realidade urbana. 

Outra característica relevante é que a arquitetura social se concentra em facilitar o acesso à moradia de baixa renda por meio de políticas públicas ou iniciativas privadas. O objetivo é melhorar as condições de pagamento e tornar os imóveis mais acessíveis às camadas sociais menos favorecidas.

Nesse caso, os moradores e a comunidade local são envolvidos ativamente no processo de planejamento e projeto. As suas opiniões e necessidades são consideradas, de modo que os projetos atendam às necessidades da população. 

Ainda, a arquitetura social promove o uso de materiais e recursos locais sempre que possível, o que ajuda a fortalecer a economia e reduzir os custos de transporte. 

Anúncios

Quais são os exemplos de projetos de arquitetura social?

Agora que você já sabe como funciona a arquitetura social e as suas principais características, chegou o momento de conhecer alguns projetos voltados para essa temática. Assim, é possível entender na prática como essa estratégia funciona.

Veja alguns exemplos a seguir!

Projeto Quinta Monroy, de Alejandro Aravena

O arquiteto e urbanista Alejandro Aravena, a pedido do governo chileno em 2003, desenvolveu um projeto de habitação social conhecido como Quinta Monroy. A intenção era proporcionar moradias para 100 famílias que ocupavam ilegalmente um terreno de 5.000 m² no centro de Iquique, no Chile. 

Aravena inovou ao adotar o conceito de casas semiconcluídas, em que metade das construções foi conduzida por seu escritório, o Elemental, enquanto a outra metade foi construída pelos próprios moradores, em um processo de “autoconstrução”. 

Casas Volontariat para Crianças Desabrigadas, de Anupama Kundoo

A arquiteta Anupama Kundoo, em 2008, concebeu um conjunto de casas em Pondicherry, Índia. O objetivo era acolher crianças desabrigadas e os seus pais adotivos. 

Essas casas foram construídas com materiais locais, como taipa, e apresentavam elementos inovadores, como o uso de garrafas e copos de vidro como unidades estruturais na alvenaria. Também foram utilizadas rodas de bicicleta, reaproveitadas como grades para janelas. 

Recuperação do Edifício Riachuelo, por Paulo Bruna

Em 2016, o Edifício Palácio do Comerciário Alexandre Marcondes Filho, também conhecido como Edifício Riachuelo, foi restaurado e regularizado. A iniciativa foi da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab-SP), buscando tornar o local uma habitação social. 

O projeto de restauração foi liderado pela equipe do arquiteto Paulo Bruna. Após o processo de restauração, 120 apartamentos foram disponibilizados a famílias que já ocupavam o edifício e pessoas cadastradas em programas sociais da Prefeitura de São Paulo. 

Cada apartamento tinha uma área de 46 a 52 m² e foi vendido a preços simbólicos de R$200,00, além de oferecer uma área comunitária na cobertura. 

Qual é a importância da arquitetura social no Brasil?

No Brasil, a arquitetura social desempenha um papel fundamental por conta do déficit habitacional e desigualdades socioeconômicas. O déficit habitacional abrange a escassez de moradias e a falta de serviços básicos essenciais nas habitações, como saneamento, eletricidade e transporte público. 

Segundo dados da Fundação João Pinheiro, há um déficit de 5,8 milhões de moradias no Brasil. Os números abrangem domicílios improvisados, habitações precárias e famílias sobrecarregadas com altos custos de aluguel.

Esse problema é mais acentuado nas regiões Norte e Nordeste, em que o déficit habitacional é mais crítico em termos proporcionais, considerando o número total de domicílios particulares. Com isso, o tema costuma ser tratado frequentemente pelo poder público.

A Lei 11.888, promulgada em 2008, foi um marco na garantia desse direito social. Ela assegura assistência técnica pública e gratuita a famílias de baixa renda para o projeto e construção de habitações de interesse social.

Logo, ela envolve o trabalho de arquitetos, engenheiros e urbanistas em todas as etapas de construção. Ainda, a lei se relaciona à regularização fundiária.

Além das iniciativas legislativas, profissionais autônomos, escritórios de arquitetura, programas estatais e organizações não governamentais são essenciais na promoção da arquitetura social. Eles se dedicam a criar soluções acessíveis para comunidades vulneráveis, buscando melhorar as condições de moradia e a qualidade de vida das pessoas. 

Neste conteúdo, você conheceu o conceito de arquitetura social, como essa prática funciona e quais são os principais exemplos. Assim, fica claro que a abordagem é fundamental para proporcionar o acesso à habitação digna para as pessoas, promovendo maior qualidade de vida aos moradores.

Bateu aquela dúvida na matéria que você leu? Deixe nos comentários que o Time Loft responde!

Tags

Deixe seu comentário

Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com os nossos Termos de Uso e Política de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.