O que é Gentrificação? Saiba mais sobre esse fenômeno no mercado imobiliário

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A gentrificação impacta o preço dos imóveis, o custo de vida e a ambientação do bairro. Saiba mais detalhes e como o fenômeno afeta o mercado imobiliário!

22 de setembro de 2023

Autor Time Loft
Atualizado: 21 de setembro de 2023 12 min de leitura
Gentrificação_ saiba mais sobre esse fenômeno no mercado imobiliário

Corretores de imóveis e investidores do setor precisam estar atentos às mudanças que acontecem no mercado. A gentrificação é um exemplo claro — e pode afetar consideravelmente os preços de casas, lojas e outras construções de determinado bairro.

Mas o impacto desse fenômeno não é apenas financeiro. O processo geográfico afeta de modo significativo os antigos moradores das localidades onde ele acontece. Portanto, antes de ir em busca de lugares gentrificados, é importante conhecer o evento com mais profundidade.

Neste post, descubra o que é gentrificação e os seus efeitos sobre a região e o mercado imobiliário!

O que é gentrificação?

Gentrificação é um processo geográfico que envolve a transformação de áreas urbanas, deixando-as economicamente mais valorizadas do que antes. O fenômeno ocorre após investimentos em determinado local, atraindo grande número de novos moradores e de empresas de alto padrão.

Com frequência, o resultado da revitalização é o aumento nos preços dos imóveis e no custo de vida na localidade. Dessa forma, a gentrificação costuma levantar debates sobre o desenvolvimento das áreas afetadas, considerando as necessidades tanto de antigos quanto de novos residentes.

Em relação ao mercado imobiliário, o processo pode significar novas oportunidades para investidores e para os profissionais do setor. Portanto, compreender o fenômeno é de extrema importância para corretores de imóveis porque ele é capaz de impactar os negócios.

Qual a origem desse termo? 

Para entender com mais profundidade o conceito, é válido que você saiba de onde veio a palavra gentrificação. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o termo é o aportuguesamento do inglês “gentrification”.

Ainda de acordo com Emanuel Oliveira Braga, antropólogo do Iphan, a primeira aparição da palavra provavelmente aconteceu em 1964. Ela estava presente na obra “London: Aspects of Change”, escrito pela socióloga britânica Ruth Glass.

Nesse contexto, o termo foi usado em relação a mudanças na organização espacial da cidade de Londres. O objetivo era falar sobre o deslocamento de residentes com condições de vida precárias para outros lugares em função da apropriação de residentes com status econômico e cultural mais elevado.

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Como a gentrificação funciona?  

O processo de gentrificação é complexo e surge com a revitalização de áreas urbanas que antes eram negligenciadas por Governos. Investimentos em infraestrutura costumam ser o ponto de partida para a transformação.

Desse modo, melhorias no transporte, em serviços públicos e no embelezamento urbano, por exemplo, podem iniciar o fenômeno. É comum que as mudanças atraiam para o local moradores atentos para essas questões.

Com o tempo, a onda de recém-chegados acarreta um aumento na demanda por imóveis. O resultado dessa movimentação é que os preços para compra e para aluguel das propriedades começam a subir.

Logo surge o movimento de deslocamento involuntário dos habitantes originais. Ainda, novos moradores e usuários das conveniências da área (geralmente, com melhores condições socioeconômicas) passam a ocupar a região.

A atmosfera cultural do bairro também se transforma à medida que cafés modernos, lojas sofisticadas e restaurantes gourmet são inaugurados. Empresas tradicionais podem ceder espaço àquelas mais alinhadas aos hábitos e estética dos novos moradores, alterando a identidade local.

Dessa maneira, a gentrificação não é apenas uma mudança de aparência ou de preço no mercado imobiliário. Trata-se de um processo multifacetado e intrincado que reconfigura a composição social, cultural e econômica de um bairro, frequentemente causando desafios sociais.

Quais os impactos da gentrificação? 

Depois de compreender o que é gentrificação e como surgiu o termo, é hora de avançar e descobrir em detalhes os efeitos desse processo geográfico. A seguir, você confere os impactos da gentrificação sobre a região e o mercado imobiliário!

Aumento dos preços imobiliários e mudança no perfil dos moradores

À medida que investimentos e melhorias são realizados em um bairro, a área se torna mais atraente para novos investidores e moradores de maior poder aquisitivo. Entre essas pessoas, estão jovens profissionais que desejam qualidade de vida e empreendedores em busca de novos endereços para os seus negócios.

O fato desencadeia uma elevação no valor de venda e de aluguel das construções, como foi observado. Porém, o aumento dos preços imobiliários dificulta a permanência dos moradores originais e pode criar um efeito cascata nos preços de locação de imóveis, assim como de taxas condominiais.

A demanda torna as negociações menos acessíveis para aqueles que já estavam há muito tempo na região. Então o perfil dos residentes e passantes se altera em função dos novos custos. 

No novo ambiente, pessoas de classes sociais com mais recursos financeiros passam a procurar imóveis para a moradia no local. Empresários de negócios de alto padrão seguem a tendência e buscam instalar seus empreendimentos na região a fim de alcançar o público com mais dinheiro.

Portanto, as características da comunidade podem ter mudanças significativas com a gentrificação. Os moradores originais, muitas vezes de origens e classes socioeconômicas diversificadas, podem enfrentar dificuldades em permanecer nas áreas revitalizadas.

Como consequência, acontece uma transformação na demografia da localidade com a chegada de novos residentes com hábitos diferentes e de maior renda. A mudança pode impactar a cultura, as tradições e a identidade do bairro. 

A preservação da autenticidade da comunidade se torna um desafio nesse contexto. Estabelecimentos e práticas tradicionais da localidade são substituídos por elementos mais alinhados com os gostos dos novos moradores. 

Portanto, o equilíbrio entre o desenvolvimento urbano e a manutenção da diversidade é crucial para evitar a perda de valores culturais e comunitários que enriquecem as áreas urbanas.

Expansão de comércios de alto padrão

A expansão de lojas e outras empresas orientadas para um público de maior poder aquisitivo surge conforme o processo de gentrificação acontece. Estabelecimentos e prestadores de serviços premium substituem negócios tradicionais, alterando a paisagem comercial. 

A transformação pode levar novas opções e melhorias para o abastecimento e o atendimento dos residentes e daqueles que frequentam o bairro. Entretanto, o fenômeno ainda tende a excluir segmentos da população que não conseguem arcar com os preços mais altos das novas marcas.

O aumento do padrão do comércio local é mais um fator que contribui para elevar o preço dos aluguéis de lojas e salas comerciais. Desse modo, a tendência é que haja o crescimento generalizado das despesas para empreendedores da região, que terão que pagar mais pelos mesmos espaços.

Deslocamento de moradores originais

Uma das implicações do fenômeno está relacionada à saída das pessoas que inicialmente habitavam a região antes dos investimentos. O consequente aumento do custo de vida pode afastar os antigos moradores, que tendem a ter piores condições socioeconômicas nesse contexto.

Assim, a gentrificação pode forçar comunidades tradicionais a se realocarem, quebrando laços sociais e culturais que foram construídos por gerações. O deslocamento não é apenas físico, mas acarreta perda de pertencimento e conexão com o bairro.

O desafio reside em manter um equilíbrio entre o progresso urbano e a preservação da identidade local. Abordagens que consideram a inclusão social e buscam formas de proteger os moradores originais são aspectos essenciais para minimizar o impacto da gentrificação.

Redução da diversidade socioeconômica

Outro aspecto que pode surgir com as mudanças na localidade é a diminuição da diversidade socioeconômica dos bairros gentrificados. A alta no preço dos imóveis afasta os moradores tradicionais de menor poder aquisitivo, como você conferiu.

Com esse fator, os novos residentes aumentam a sua parcela no local e, gradativamente, tornam-se maioria. Como consequência, a comunidade fica mais homogênea economicamente e a população de renda mais elevada se torna predominante.

Já a diminuição da diversidade socioeconômica pode levar a um ambiente segregado, no qual diferentes grupos de renda têm acesso desigual a serviços, oportunidades e espaços públicos. A vitalidade e a riqueza que a diversidade traz a uma comunidade podem ser comprometidas.

Possíveis conflitos entre novos e antigos residentes

Considerando todos esses impactos da gentrificação, outro efeito pode surgir: a tensão na nova vizinhança. À medida que a paisagem urbana se altera, os interesses e necessidades desses grupos costumam divergir. 

Os novos investidores e moradores frequentemente buscam influenciar as políticas locais e a infraestrutura de acordo com os seus interesses. Mas a atitude pode entrar em conflito com as necessidades e prioridades da comunidade original.

As desavenças costumam se manifestar em debates sobre planejamento urbano, alocação de recursos e até mesmo na convivência diária. A falta de entendimento mútuo é capaz de criar divisões, prejudicando a coesão social e a harmonia do bairro. 

Dessa forma, abordagens que promovam a colaboração entre os diversos grupos de moradores são essenciais para atenuar possíveis conflitos e criar um ambiente agradável para todos.

Gentrificação e filtragem: quais as diferenças? 

Diante dos impactos da gentrificação, as dinâmicas urbanas se alteram, podendo surgir outro fenômeno, conhecido como filtragem. Os conceitos costumam ser confundidos pelas pessoas, mas eles têm conceitos diferentes.

A gentrificação implica na revitalização de bairros menos valorizados. Já a filtragem ocorre quando imóveis destinados a camadas sociais mais altas sofrem desvalorização, seja dos próprios imóveis ou do entorno.

Nesse contexto, moradores de maior poder aquisitivo migram para novas localidades que oferecem os serviços desejados. As propriedades desocupadas passam a ser assumidas por famílias de classes mais baixas, que procuram se ajustar às suas realidades financeiras.

A filtragem é nomeada assim devido à maneira como as habitações “filtram” os residentes de acordo com sua posição social e a degradação de seu capital. Ainda assim, a gentrificação e a filtragem podem compartilhar aspectos semelhantes.

Por exemplo, um bairro com imóveis vagos e acessíveis inicialmente atrai moradores com determinada capacidade de pagamento. Com a valorização regional, famílias que não acompanham a ascensão social podem ser compelidas a se realocar em busca de acomodações mais econômicas. 

A compreensão desses fenômenos é fundamental para quem atua no mercado imobiliário, permitindo a identificação de tendências e de novos negócios.

Quais os casos de gentrificação mais famosos?

Agora, você já conhece detalhes sobre o fenômeno de gentrificação, certo? Esse é o momento para entender como ele acontece, na prática.

Confira, a seguir, 3 exemplos conhecidos do processo de mudanças sociais e de valorização de bairros ao redor do mundo!

SoHo, Nova York, Estados Unidos

O bairro de SoHo, na cidade de Nova York, é um dos retratos mais emblemáticos de gentrificação. Na década de 1960, a área era predominantemente industrial, com muitos edifícios abandonados pela região. 

Artistas e boêmios começaram a ocupar esses espaços vazios devido aos aluguéis acessíveis, transformando a localidade nos Estados Unidos em um verdadeiro centro criativo. Com o tempo, galerias de arte, butiques e restaurantes emergiram, atraindo residentes com mais dinheiro. 

A Avenida Broadway, por exemplo, passou a ter diversas lojas de grandes marcas internacionais. A alteração nos padrões comerciais subiu o preço dos imóveis. Como resultado, muitos artistas saíram do local, levando à gentrificação do bairro.

Brick Lane, Londres, Reino Unido

Outro caso famoso de gentrificação aconteceu em Brick Lane, localizado em Londres. Ele era habitado principalmente por imigrantes e, com as mudanças ocorridas, tornou-se um polo cultural devido à cena artística e à comunidade de Bangladesh que lá residia. 

Diante do crescente interesse de investidores e jovens profissionais, houve uma elevação no custo para compra e aluguel de imóveis, alterando o perfil dos moradores e passantes. A identidade do bairro foi impactada e os comércios tradicionais deram lugar a lojas e restaurantes modernos.

Bairro de Poblenou, Barcelona, Espanha

Por fim, Poblenou, na cidade de Barcelona, também testemunhou uma transformação radical a partir da gentrificação. A região foi revitalizada por investimentos governamentais e urbanos. Startups da área de tecnologia e empresas criativas foram atraídas pelas melhorias, impulsionando o crescimento econômico. 

A transformação aumentou o custo de vida no lugar, afastando antigos moradores de baixa renda e modificando a paisagem urbana. Portanto, Poblenou passou de um bairro industrial e operário para a região da moda e de inovações tecnológicas, com foco na classe média, em empresas e turistas.

A gentrificação afeta uma região a partir de melhorias estéticas e em infraestrutura que pode atrair investidores e moradores, enquanto afasta antigos residentes devido aos altos custos. Logo, o conhecimento é importante para quem trabalha com imóveis ou mesmo deseja fazer investimentos imobiliários.

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