Financiamento imobiliário: saiba como não ficar inadimplente

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Bancos oferecem alternativas para clientes com dificuldades de pagar as parcelas do crédito imobiliário

29 de abril de 2022

Atualizado: 08 de junho de 2022 6 min de leitura
Aprenda como não ficar inadimplente no financiamento imobiliário

Segundo dados do Serasa, 65 milhões de brasileiros estão inadimplentes. Isso equivale a 40% da população economicamente ativa. Mas quando o assunto é financiamento imobiliário, o cenário é bem diferente. Apenas 0,7% dos contratos no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) ficaram inadimplentes em dezembro de 2021, segundo o Banco Central.

Bruno Gama, CEO da CrediHome by Loft, explica por que a falta de pagamento é tão baixa no crédito imobiliário.

"É mais do que patrimônio, é algo até sentimental. O imóvel é visto como algo que gera estabilidade, as pessoas relacionam muito isso: de que quando eu compro meu imóvel, sinto que cumpri uma fase da minha vida".

Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), diz que o medo de perder o imóvel motiva os mutuários a não atrasar as parcelas do financiamento.

"Costumo dizer que se você compra um veículo e não paga as prestações, você perde o veículo. A casa também. Se você não pagar as prestações, você vai perder a casa. Então as pessoas têm que fazer todo o esforço necessário para evitar a inadimplência", explica

Mas a pandemia da Covid-19, com efeitos na economia brasileira e no aumento do desemprego, mostrou que nem sempre é possível manter as contas em dia. Por isso, alguns bancos começaram a oferecer alternativas para os mutuários não correrem o risco de ficar sem a casa própria. Veja abaixo alguns caminhos para não perder seu imóvel financiado quando o dinheiro apertar.

Pessoa calculando  como nao ficar inadimplente
Faça uma pausa no financiamento imobiliário. Foto: Shutterstock

Renegocie a dívida

A primeira dica é tentar reduzir o valor da parcela. Filipe Pontual, diretor-executivo da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, sugere que o consumidor procure seu banco antes de atrasar a primeira prestação.

"Sempre que o cliente estiver em dificuldades de pagamento de suas prestações, ele deve em primeiro lugar procurar seu banco para perguntar de que forma eles podem ajudá-lo. Cada instituição tem sua política própria de atendimento aos inadimplentes", informa.

É possível usar o saldo do FGTS para diminuir em até 80% o valor da prestação durante um período de 12 meses. O Fundo de Garantia também pode ser usado para abater parte do montante da dívida e, assim, reduzir o número total de pagamentos. Não há limite no valor do imóvel.

Procurar o banco para pedir um desconto nos juros também é interessante, principalmente para quem tem financiamentos mais antigos, com juros acima da média de 9,3%.

Um ponto importante para a renegociação: é melhor, para o consumidor, estar com as prestações em dia.

"O ideal é que o mutuário não espere estar com o pagamento em atraso para buscar formas de renegociação", lembra Gama.

Troque de banco

Também é possível transferir a dívida do financiamento imobiliário para um banco que ofereça condições melhores. É a chamada "portabilidade", que funciona como a portabilidade de um telefone, por exemplo. "O cliente que tem um contrato de crédito ativo pode portar esse contrato para algum outro banco, desde que esse banco aceite as condições que ele tem e, obviamente, o rating de crédito desse cliente", sugere Bruno Gama. 

Para fazer a portabilidade, o cliente deve olhar além dos juros nominais. É preciso levar em consideração despesas com taxas de administração, seguros e outras cobranças que compõem o Custo Efetivo Total do financiamento antes de decidir migrar o financiamento. 

Dê uma pausa no financiamento imobiliário

Pausar o pagamento das parcelas do crédito imobiliário é cada vez mais comum. E pode ser uma estratégia principalmente para trabalhadores autônomos, que têm flutuações na renda ao longo do ano.

"Você pode ficar alguns meses sem pagar a parcela, reconstituindo sua renda, recompondo um pouco sua condição financeira, para daqui dois ou três meses voltar a pagar as parcelas normalmente", explica Bruno Gama.

A Caixa, principal banco do SFH, oferece o Crédito com Pausa. Com ele, o mutuário que já tenha quitado pelo menos 24 parcelas pode pausar o financiamento por um prazo de seis meses a um ano. Para ter direito a esse benefício o consumidor precisa estar com as prestações em dia e a dívida não pode ser superior a 80% do valor do imóvel.
A cada 24 prestações pagas o consumidor tem direito de renegociar o contrato ou pedir uma nova pausa.

Dicas de como não ficar inadimplente no financiamento da Caixa
Mutuários da Caixa podem ficar até um ano sem pagar. Foto: Shutterstock

Bancos privados, como o Itaú e o Santander, também têm a possibilidade de pular até duas parcelas. Para isso, o cliente também não pode estar com prestações atrasadas. 

Mas, atenção, a pausa no financiamento tem consequência. As parcelas puladas serão somadas ao total da dívida, incluindo encargos e juros, e diluídas nas prestações que restam ao longo do contrato. 

"Isso significa que o valor dessas duas parcelas é recomposto no saldo devedor. Não é que você ganha de brinde duas parcelas. Você passa a ter uma prestação ligeiramente superior à que você tinha antes, porque na soma das centenas de parcelas que ainda precisam ser pagas vão entrar essas essas duas ou três", diz Bruno Gama. 

Por isso, é uma alternativa que precisa ser bem avaliada. 

"Esse cliente precisa ter algum tipo de poupança, uma reserva, uma alternativa para não ficar inadimplente", destaca Gama. 

Ele lembra que em situações mais extremas em que não há negociação da dívida e os atrasos persistem o devedor pode vender o imóvel para quitar a dívida, antes de ter a casa retomada pelo banco para ser leiloada.

"Mas isso vai trazer um ônus ou uma mudança de vida muito rápida para o cliente, que ninguém quer que aconteça", diz.

Repórter de Economia do Portal Loft. Jornalista formada pela ECA-USP com passagens pela TV Globo, Record, Band, SBT (onde trabalhou por nove anos como repórter) e CNN Brasil. Fez especialização em Jornalismo Literário pela ABJL e em Roteiro pela EICTV-Cuba. Foi finalista do Prêmio Esso de Jornalismo em 2012.

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